sexta-feira, 16 de abril de 2010

Espionagem e assédio derrubam o chefão

Espionagem e assédio derrubam o chefão
Ministério Público investiga gestão de Marco Antônio Castello Branco, que desagrada empregados, fornecedores e clientes
Ana Paula Pedrosa
Um dia após Marco Antônio Castello Branco anunciar que deixará o comando da Usiminas, ontem não se falou em outra coisa na empresa. A gestão de Castello Branco foi marcada nestes quase dois anos por decisões polêmicas e acusações de assédio sexual, moral e espionagem. Resultado: a empresa amargou uma queda de produtividade. A forma de comandar refletiu negativamente entre os funcionários.
Marco Antônio Castello Branco vai deixar o cargo no dia 30 de abril. Em seu lugar entrará o atual presidente do Conselho de Administração da empresa, Wilson Brumer. Oficialmente, a troca no comando é só uma mudança no "estilo de administrar". O próprio Castello Branco diz que seu modo de comandar "nem sempre é muito delicado" e que seu sucessor é mais "conciliador". Nos bastidores, a saída é vista com alívio.
Um ex-funcionário diz que o atual presidente é uma pessoa "intratável". "Ele é uma unanimidade. Conseguiu desagradar a todos: funcionários, aposentados, comunidade, fornecedores, clientes. Só os diretores que ele levou não eram contra ele", disse. "Ele humilhava os funcionários", completa. Para apurar essas situações, o Ministério Público do Trabalho abriu uma investigação de assédio moral e sexual dentro da Usiminas.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga, Luiz Carlos Miranda, a mudança é um alívio. "Uma pesquisa mostrou que 96% dos funcionários odeiam o Marco Antônio. Não é desaprovam, é odeiam mesmo", disse, completando que a gestão que se encerra é "uma página a ser apagada da história da empresa". Segundo Miranda, em quase dois anos de gestão, nunca houve nenhuma reunião com os trabalhadores ou com a comunidade, situação que já começou a mudar. "O Brumer já me ligou para conversar sobre uma forma de pacificar a empresa", disse Miranda.
DemissõesO presidente do sindicato conta uma passagem que ilustra o jeito Castello Branco de administrar. "Ele e a Denise (Brum, diretora de recursos humanos) montaram uma tenda e convidaram 850 pessoas para irem à usina em um fim de semana. Todos foram demitidos. Algumas pessoas tinham 25, até 30 anos de casa".
Estava marcada para ontem uma reunião do Grupo de Controle da Usiminas, para tratar de assuntos a serem levados à Assembleia de Acionistas, no dia 30. No mesmo dia haverá a reunião do Conselho de Administração. No lugar de Brumer na presidência do conselho, entrará Israel Vainboim, hoje conselheiro do Itaú Unibanco.
BoicoteO anúncio da troca de comando na Usiminas foi feita pelo próprio Marco Antônio Castello Branco. Ele admitiu que sai desgastado pelas demissões de cerca de 3.000 funcionários e pelas polêmicas de sua gestão. "A Usiminas tem a oportunidade de não ser afetada nos seus negócios e no seu futuro por esse desgaste natural ligado à minha maneira de administrar, que nem sempre é muito delicada", disse.
A expectativa é de que o clima e a produtividade na Usiminas devem melhorar a partir de maio, com o novo caomando. De acordo com Luiz Carlos Miranda, havia boicote à produção por parte dos trabalhadores. "O pessoal sempre foi muito zeloso e parou de ser. Eles deixavam de fazer uma inspeção na máquina, o equipamento ficava superaquecido à noite, não funcionava bem no outro dia", diz. Segundo ele, o boicote foi motivado pela desaprovação geral à atual gestão.
Frases
O presidente demissionário, Marco A. C. Branco, resumiu a situação: "A Usiminas tem a oportunidade de não ser afetada nos seus negócios e no seu futuro por esse desgaste natural ligado à minha maneira de administrar, que nem sempre é muito delicada". "Assumi as consequências das mudanças necessárias e não me arrependo de nenhuma delas".
60 Perguntas É o número de questionamentos que consta em um panfleto do Sindipa contra a administração de Marco Antônio C. Branco.
Sindicato comemora a mudança com foguetório
O Sindicato dos Trabalhadores de Ipatinga (Sindipa) realizou intensa campanha contra a administração de Marco Antônio Castello Branco. Na segunda-feira, segundo o presidente da entidade, Luiz Carlos Miranda, houve foguetório na cidade para comemorar a queda do executivo. Um dos questionamentos do sindicato é em relação à contratação do israelense Avner Shemesh, acusado de ser o espião responsável pelos grampos telefônicos no caso Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. Shemesh recebia R$ 50 mil por mês da Usiminas para prestar "consultoria, assessoria e auditoria em segurança patrimonial, segurança eletrônica e gestão de riscos operacionais prevenção e investigações de perdas e fraudes". A extensa função descrita no contrato é resumida pelos empregados como controle de telefonemas e e-mails, principalmente de quem era ligado à antiga administração, a de Rinaldo Campos Soares. "Eles nos espionavam. Quando eu saí de lá, levaram meu computador para saber com quem eu falava", diz um ex-funcionário. Na última sexta-feira o Sindipa fez um panfleto com "60 perguntas para Marco Antônio Castello Branco", no qual questionava as demissões, a contratação de consultores por valores altíssimos, a perda de participação de mercado, entre outros. O Sindipa pedia a saída do presidente e da diretora de recursos humanos da empresa, Denise Brum, responsável pela implantação da política de Castello Branco. (APP)
Publicado em: 14/04/2010
http://www.otempo.com.br/supernoticia/noticias/?IdNoticia=42195

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quarta-feira, 31 de março de 2010

Conceição: Guarde nos Olhos III - Mumbuca

Conceição do Mato Dentro, 21 de novembro de 2009.
Minas Gerais / Serra do Espinhaço.
Comunidade Quilombola de Mumbuca.
Reunião de várias comunidades no Espinhaço, em protesto contra a devastação sócio ambiental relizada pela MMX/Anglo Ferrous sem licenciamento e de forma totalmente agressiva na região.
O empreendimento ilegal, projeto Minas-Rio, de autoria de Eike Batista, conta com a "proteção" do Governo de Minas que tenta no dia 26/11, aprovar em reunião do Copam em Diamantina, longe das comunidades afetadas, uma "licença de instalação"com o intuito de dar "credibilidade" ao crime.
Mediante pressão da comunidade, a reunião as escondidas foi adiada para dia 17/12.
O empreendimento já conta com duas ações na justiça, dos Ministérios Público Federal e Estadual...

Ditadura da Informação parte VII

Segunda parte da versão integral de um novo documentário, produzido em junho de 2008, em resposta às acusações de censura à imprensa pelo Governo Aécio Neves, de Minas Gerais, veiculadas na internet.

Ditadura da Informação parte VI

Primeira parte da versão integral de um novo documentário, produzido em junho de 2008, em resposta às acusações de censura à imprensa pelo Governo Aécio Neves, de Minas Gerais, veiculadas na internet.

Ditadura da Informação parte V

Ditadura da Informação parte IV

Ditadura da Informação parte III

Ditadura da Informação parte II

Ditadura da Informação parte I

terça-feira, 30 de março de 2010

Ditadura da informação - Brasil: Além do Cidadão Kane

Brasil: Beyond Citizen Kane" (Muito Além do Cidadão Kane) é um documentário produzido por Simon Hartog, em 1993, para o Canal 4 da BBC, sobre a política de telecomunicações do Brasil, com foco na Globo de Roberto Marinho.


segunda-feira, 29 de março de 2010

Problemas de gestão da Varig surpreenderam Gol

Débora Thomé - O Estado de S.Paulo

Três anos após a aquisição da companhia aérea, Constantino Júnior, presidente da Gol, revela as dificuldades enfrentadas após a compra

29 de março de 2010 | 0h 00


Há três anos, em uma operação de US$ 320 milhões, a Gol adquiriu a Varig - ou o que havia restado dela. Na época, a Gol estava interessada na marca Varig, em sua operação internacional, no programa de fidelidade Smiles e nos slots de Congonhas - horários de pouso e decolagem no aeroporto mais rentável do País. Mas quase nada saiu como o esperado.

A marca Varig praticamente desapareceu. Hoje, a bandeira só está presente em voos para três destinos: Aruba, Bogotá e Caracas. As operações de longo curso, como viagens para a Europa, não estão mais nos planos da companhia e o número de slots disponíveis, apesar de relevante, foi reduzido após o acidente da TAM em Congonhas e as restrições impostas ao aeroporto.

Em entrevista ao Estado, Constantino Júnior, presidente da Gol, fez um balanço desses três anos: contou que não esperava a desordem nos processos que encontrou na Varig e falou sobre o futuro da ex-gigante do setor aéreo: "Não vemos uma oportunidade no mercado doméstico para explorar esta marca."

O que deu certo e o que deu errado na aquisição?

É difícil colocar assim. A gente enxergava alguns ativos importantes: espaço nos principais aeroportos brasileiros; direito de explorar algumas rotas internacionais; o Smiles, o maior programa de relacionamento da América Latina. Mas a empresa vinha passando por um processo de deterioração da qualidade operacional. Foi surpreendente para mim encontrar uma empresa de aviação naquele estágio.

Quais foram essas surpresas?

Eles não estavam negligenciando as questões de segurança. Era algo mais voltado às questões de controles. Às vezes tinha surpresa de uma turbina que estava num fornecedor que nós não sabíamos. Os processos da empresa praticamente não existiam. De repente, aparecia uma nota fiscal em uma gaveta, uma coisa que na Gol está muito distante da realidade. Não tinha protocolo (de contrato com fornecedores), não tinha uma centralização. Isso foi surpresa, mas faz parte do negócio. Se estivesse tudo certo, talvez não houvesse um vendedor.

Na época da compra, a expectativa era que a Gol, junto com a Varig, ganhasse participação de mercado e ultrapassasse a TAM. Por que isso não aconteceu?

A aquisição da Varig não estava voltada à conquista da liderança em participação de mercado. Estava muito mais voltada a um fortalecimento da posição da empresa nos principais mercados, leia-se Sul e Sudeste, que é o principal pólo gerador de tráfego no Brasil. E isso a Varig nos trouxe.

Um dos principais problemas logo após a aquisição foi com os voos internacionais. Qual foi o erro da Gol?

Partimos para os voos de longo curso (para a Europa e o México), mas não tivemos êxito. Nós talvez tenhamos cometido um erro estratégico: oferecer um produto sem um diferencial, fosse ele a redução de custo ou melhoria substancial na qualidade do serviço. Entramos nos voos internacionais com aviões que não eram os mais modernos, isso implicou um maior consumo de combustível. Outro ponto: a Varig não tinha acordo de code share (cooperação para o transporte de passageiros) com nenhuma companhia aérea. Tínhamos um prazo para colocar esses voos em operação e conseguimos. Mas o fato é que nosso produto não gerava atratividade.

E agora, qual será o destino da marca Varig?

Apesar de estar sendo usada pontualmente, a marca Varig ainda é reconhecida pelo serviço. Assim, ela vai continuar a atender destinos onde o atributo das duas classes dentro do avião (a econômica e a mais sofisticada) é valorizado. Mas nós não percebemos, hoje, uma oportunidade no mercado doméstico para explorar essa marca. Entendemos que o modelo da Gol, para voos curtos, é o mais adequado: é mais espartano em relação ao serviço de bordo, mais voltado à eficiência e tem custo menores com tarifas menores.

A empresa pretende reativar os voos para a Europa e México?

Não. Queremos apenas expandir para o Caribe e fazer voos charter. A partir de junho, todos os 14 aviões que adquirimos na época da compra da Varig estarão voando (até agora, alguns deles ainda estavam sem operar). As aeronaves estão sendo reconfiguradas para uma classe única, com 260 assentos.

O senhor enxerga outros problemas da aquisição?

Passamos por situações que foram ocasionadas por questões exógenas. Um dos principais ativos eram os slots em Congonhas, que tiveram um valor operacional importante nessa transação. Dois meses após a aquisição da Varig, houve o acidente em Congonhas e as restrições ao aeroporto foram impostas. Ao mesmo tempo, a Varig tinha poucos aviões e muitos slots em Congonhas. E a Gol tinha, proporcionalmente, muito mais aviões que slots. Mas, sem a autorização do Cade, não conseguíamos realmente extrair a sinergia da equação.

A compra da Varig saiu cara?

Não é questão de pagar barato ou caro. A Varig não vinha bem, mas ela fazia sentido para uma empresa como a Gol, que tinha como extrair um benefício. Diria que foi negociado, que foi um preço justo. Pagamos US$ 98 milhões em dinheiro, o restante em ações. Apenas um acordo de emissão de cartões de crédito entre Gol, Smiles, Banco do Brasil e Bradesco permitiu a empresa capitalizar recursos de R$ 250 milhões. Na época, a Varig vinha dando muito prejuízo, exigia aporte de capital. Porém, se você observar, depois desse outubro, os resultados passaram a ser positivos.

Há novos planos de parcerias no exterior?

Temos parcerias com empresas como Air France/ KLM, American e Aeroméxico, integrando os programas de milhagem. Tenho acordo de confidencialidade, mas estamos conversando na Europa, nos Estados Unidos e na África.

A Gol ainda tem de lidar com heranças da Varig?

Esqueletos a gente não tem nenhum. A preocupação foi executar o plano de recuperação judicial, o que já fizemos. Cumprimos todos os pontos previstos naquele contrato. Não temos preocupação. Dizer isso talvez seja um exagero, mas estamos muito tranquilos.

Quais são os planos para o caixa da Gol, atualmente acumulado em mais de R$ 1,5 bilhão?

Isso atende ao objetivo de manter o nível de caixa equivalente a 20% das receitas dos últimos 12 meses. Estamos elevando o patamar para algo em torno de 25%. A indústria é muito volátil, passa por ciclos e é demandante de caixa. Isso nos dá conforto para buscar melhor negociação com os fornecedores, baixar o custo de dívida da empresa. Um caixa forte faz parte da estratégia financeira conservadora.

Quais serão os vetores de crescimento da Gol daqui para frente?

Estamos estudando a nova classe média. Identificamos que, em um raio de 100 quilômetros dos aeroportos em que a Gol opera, existe uma população de 11 milhões de pessoas que poderia considerar a possibilidade de voar de avião. Hoje, temos entre 15 e 16 milhões de pessoas viajando de avião no Brasil. Falamos de um potencial enorme. Estamos tentando entender qual é a necessidade de cada uma dessas comunidades. Algumas iniciativas já estão sendo tomadas, como a flexibilização do Voe Fácil, nosso programa de parcelamento de passagens que tem 2 milhões de clientes. Também queremos ter ações específicas para três grupos: os migrantes, os universitários e os usuários de internet.

Mas, para trazer a nova classe média para o setor, não é preciso melhorar a infraestrutura aeroportuária?

No passado, nenhum especialista no setor projetava um crescimento de 3,5 vezes o PIB, o que se ouvia era que a demanda era inelástica. Houve uma grande mudança de cenário. É evidente a necessidade de investimentos em infraestrutura e isso afeta diretamente o nosso negócio. Hoje, o que estamos fazendo é desviar as conexões de São Paulo para os aeroportos de Confins, Brasília e Galeão. Em número de voos, todo o nosso crescimento já se dá fora de São Paulo. Outra medida que estamos tomando é trocar nossa frota por aviões 25% maiores, para levar mais passageiros.

Acidente com ave aborta decolagem de avião da TAM no Paraguai

O piloto de um avião brasileiro que se preparava para decolar nesta segunda-feira do aeroporto Silvio Pettirossi, nos arredores de Assunção (Paraguai), teve que abortar a manobra depois que uma pomba entrou na turbina esquerda da aeronave. O avião, operado pela TAM e com capacidade para 156 passageiros, teve a decolagem atrapalhada pelo incidente, mas nenhum dos ocupantes do aparelho se feriu.

"Poderia ter acontecido uma catástrofe terrível", disse o assessor de imprensa da Direção Nacional de Aeronáutica Civil (Dinac), José Villalba.

Villalba afirmou que o estrondo causado pela entrada da pomba na turbina causou um "grande susto aos passageiros", que serão transferidos para um outro avião.

29 de março de 2010 12h46 atualizado às 13h39


EFE
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